O Menino no Templo



O Menino no Templo

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Três dias depois, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os (Lc 2.46).

Nas últimas décadas, tem havido  progresso do evangelho no Brasil.   Milhões de pessoas se tornaram crentes.  Igrejas têm surgido em toda parte, incluindo nas classes privilegiadas. As estatísticas dizem que os evangélicos já representam de 10 a 15%  da população do país.

Mas, indo-se além dos números, qual a condição da criança, em geral, dentro das Igrejas?  Que lugar têm os pequenos nessas comunidades?  Como os líderes encaram o evangelismo e o pastoreio dos cordeiros?  Embora encontremos Igrejas e líderes que  invistam na vida espiritual dos pequeninos, esses são minoria.   Em certas comunidades, as crianças têm sido impedidas de chegar a Jesus, como tentaram  os discípulos, na cena clássica do evangelho (Mc 10.13-16).

Nesses ambientes, há desprezo pelas crianças (Mt 18.10),  observado na falta de ensino e de visão para esse trabalho.  Resultado: elas  estão se perdendo, em certos casos, dentro da Igreja! (Mt 18.14).   Portanto, é necessário refletir  sobre a condição  da criança na Igreja.

Em Lucas 2, encontramos uma cena completa:  José e Maria, o menino Jesus, o templo e os líderes espirituais.  É a segunda visita conhecida de Cristo a Jerusalém.  A primeira foi após o nascimento. Mas, como José e Maria tinham o costume de ir a Jerusalém para a Páscoa, certamente Cristo  tinha estado no templo em outras ocasiões  (Lc 2.41).  A lei de Moisés exigia a participação dos judeus em três festas anuais: Pães Asmos, das Semanas e dos Tabernáculos (Dt 16.16).

À semelhança de José e Maria, os pais crentes de hoje precisam levar seus filhos à Igreja, começando na consagração a Deus (Lc 2.22-24).  Além disso,  devem vigia-los nas atividades religiosas.  Se não o fizerem, poderão se extraviar  dentro da própria Igreja.  Mesmo ali, precisam saber onde e com quem  estão.  É recomendável não perdê-los de vista.  Não descuidar.  É necessário evitar o excesso de confiança. Talvez o  excesso de confiança tenha sido  a causa dos pais terrenos do Senhor perderam o menino na visita a Jerusalém.  Como José e Maria, outros pais cristãos têm sofrido a mesma dor e o desespero de perder os filhos.  Em certos casos, ao contrário do menino Jesus, nunca mais os encontraram.

 

No caso dos pais de Jesus, surpreende-me  vê-los andar o dia inteiro de volta para casa, sem saber onde estava o filho.   Em vão procuram-no por três dias, até o encontrarem no templo.  Aquele era mesmo um menino-Deus!  Se seu filho ou filha desaparecesse, onde  acredita que o encontraria?  Na casa do vizinho, numa lan house, num campo de futebol, num Shopping?

O menino estava no templo, assentado entre os doutores (Lc 2.46)  Que cena instrutiva! As Igrejas de hoje precisam igualmente de mestres e doutores da lei que se assentem com as crianças para  ensiná-las.  Precisam também preparar estes mestres, pois o desafio de instrui-las é gigantesco.   Em certas classes, o maior desafio do professor é fazer crianças inquietas se assentarem para ouvir. É evidente que a inquietação de certos alunos vem das dificuldades do próprio aluno, do mobiliário inadequado  ou da falta de entendimento das lições, às vezes,  fora do alcance  do ouvinte.

Mas as crianças precisam ouvir.  Como o menino Jesus que  ouvia e interrogava os mestres do templo, a criança precisa ouvir o professor, pois a fé vem pelo ouvir (Rm 10.17).  As crianças precisam perguntar e interrogar, para  desse modo, esclarecer dúvidas e aprender melhor.

Pelo lado do professor, é necessário valorizar e aproveitar a curiosidade infantil, pois é perguntando que aprendem.  Cristo, o maior de todos o mestres, ensinou através desse método.  Os evangelhos registram que Ele fez uso de perguntas por mais de 100 vezes e o efeito  foi o melhor possível.

No templo, o menino causava admiração (Lc 2.47). É claro que esse menino era Deus.  Mas, as crianças sempre  surpreendem em sua capacidade de aprendizagem ou pelo modo como aplicam o ensino em certos momentos. Ao ser achado no templo  e censurado pelos pais aflitos, o menino justificou sua obrigação de estar na casa de Deus (seu pai) (Lc 2.49).  Estas palavras são proféticas, pois em toda a vida e ministério Cristo sempre valorizou a casa de Deus.  Tinha zelo por ela.  Sempre que estava em Jerusalém, vinha todos os dias ao templo (Lc 22.53).  Precisamos redescobrir o valor e a influência da Igreja em nossa própria  vida espiritual e na de nossos filhos, em formação. Como nunca as crianças precisam ser levadas ao templo.  E a Igreja precisa se preparar para recebê-las.  Mas, acima de tudo, é necessário levar a criança a Cristo.  Somente assim crescerão de modo saudável, como crescia Jesus, a criança perfeita (Lc 2.52).  E muito desse crescimento  acontece no templo.

Pr. Antônio Paulo.

 

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