Mais cães, menos Crianças



Mais cães, menos Crianças

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É parte de um passado distante o tempo em que os cães comiam das migalhas que caíam da mesa de seus donos (Mt 15.27) ou lambiam as chagas de mendigos à porta de algum rico (Lc 16. 21), como relatam os evangelhos de Mateus e Lucas.

No Brasil de hoje, os caninos gozam de privilégios inimagináveis: status familiar, comida diferenciada, brinquedo, cama, edredom, joia, spa, ioga, ofurô, TV a cabo, hotel de luxo, terapia, hospitais especializados, além de festa de aniversário e direito à herança, dentre outras mordomias. Como se pode ver, vida de cão já não é mais sinônimo de sofrimento ou carência. Na cidade de São Paulo há mais de 4 mil pet shops, número que ultrapassa o de padarias, segundo o site UOL, que igualmente afirma que o mercado pet fatura  11 bilhões de reais por ano.

Agora em junho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que de acordo com o último censo, os cães já superam o número de filhos nos lares brasileiros. São 52 milhões de cachorros para 45 milhões de crianças. Em cada 100 famílias brasileiras, 44 criam cães contra 36 famílias que têm crianças. Quem acha isso absurdo deve saber que as projeções são ainda mais assustadoras. A previsão para 2017 é que o Brasil terá 62 milhões de totós para 43 milhões de crianças. Na verdade, os dados revelam uma tendência dos países ricos e industrializados como Japão e EUA. Na terra do sol nascente, há 16 milhões de crianças para 22 milhões de animais de estimação. Já nos Estados Unidos há 48 milhões de residências com cães, para 38 milhões de lares com crianças.

O que significam esses números? Certamente por trás das estatísticas estão fatores financeiros, sociais, psicológicos e espirituais. Ultimamente, a despeito das dificuldades do país, a população brasileira tem mais acesso à educação, à renda e à saúde, fazendo aumentar o número de idosos. Na terceira idade, em geral, o ninho fica vazio, pois os filhos crescem e deixam a casa dos pais. Inativos e carentes, os velhos ficam propensos a se dedicar a animais de estimação para, desse modo, compensar o vazio. Essa classe tem mais tempo, espaço e dinheiro para investir nos bichos.

Mas, a afeição por cães alcança pessoas de todas as idades que, seguindo o modismo, exageram tratando cães como gente: dormem com os animais na mesma cama. Tratam os bichos como filhos ou netos, além de só se permitirem ir onde o animal tem acesso, dentre outros exageros. Por conta da pressão social, os cães estão sendo introduzidos em lugares, onde até então não se permitia a entrada de animais, como: shopping, farmácia, supermercados, restaurantes, dentre outros.

Sobretudo, a substituição de crianças por animais revela desvalorização do ser humano. Em certos ambientes, o cão é mais bem tratado do que a criança. Para muitos, maltratar animal é mais revoltante que maltratar criança. Porém, isso não significa que se deva atacar os cães, pois o crente deve ser conhecido pelo modo bondoso como trata seus animais (Pv 12.10).

Sobre o trato com as crianças, especificamente, o Senhor ordena a não desprezá-las. Disse: Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos (Mt 18.10). Este imperativo divino deve nos impulsionar a combater todo e qualquer ataque, desprezo ou negligência contra crianças, sejam de ordem física, emocional ou espiritual. A sociedade, a Igreja e a família precisam recuperar o valor das crianças. Precisam se unir para defende-las. Para assisti-las. Para evangelizá-las e conduzi-las ao caminho de Deus (Pv 22.6). É preciso olhar para as crianças como herança do Senhor (Sl 127.3).

A falta dessa compreensão tem levado casais jovens a evitar a procriação. E o que não faltam são desculpas: não se sentem preparados, dá trabalho, custa caro, falta estrutura. Além disso, os filhos poderão inibir a liberdade do casal, dificultar carreiras, dentre outros argumentos.

Portanto, não é sem razão, que o país já tem mais cachorro que criança. Qual será o futuro de um mundo que troca crianças por cães?

Pr. Antônio Paulo de Oliveira.

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