Mulher Rica



Mulher Rica

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Certo dia, passou Eliseu por Suném, onde se achava uma mulher rica. (2 Reis 4.8)

      A informação que em Suném, no norte de Israel, próximo ao Carmelo, vivia uma mulher rica é quase redundante, pois desde a monarquia a região é próspera, devido a fertilidade do solo, onde até hoje há grandes produtores de grãos e vinho.

Contudo, a sunamita não é mencionada pelo nome. É conhecida apenas pelo lugar onde vive: Suném. A identificação de pessoas a partir do lugar de onde procedem é comum nas Escrituras. É assim com Saulo de Tarso, Maria Madalena (ou Maria de Magdala), Jesus de Nazaré, José de Arimatéia, Maria de Betânia, dentre outros.

Embora anônima, a Bíblia revela grandes qualidades desta senhora. Inicialmente, é apresentada como mulher rica (4.8) e não apenas de bens materiais, mas de boas obras, como Paulo recomenda aos crentes ricos: que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir (1 Tm 6.18). Pois ela era assim; sempre que o profeta Eliseu passava por ali, o constrangia a comer pão em sua casa (4.8) Note: não o convidava apenas por cordialidade ou educação – ela o constrangia. Como esposa de fazendeiro rico, imagina-se casa farta de pão, de leite e seus derivados, de doce, mel, frutas e outras iguarias da fazenda.

Mas, além do enorme coração, a mulher revela-se alguém de bons olhos. Mostra percepção espiritual (4.9).  Observa que o profeta é homem sério, piedoso e santo.  O qualificativo “santo”, no singular, é raro nas Escrituras. O comum é o termo plural “santos’. Lemos sobre os santos de Éfeso, de Roma, de Corinto, a herança dos santos… À semelhança da sunamita, o crente precisa crescer em percepção espiritual, a fim de discernir sua própria condição  e a de outros ao redor.

O Antigo Testamento ainda deixa transparecer que a sunamita é alguém de iniciativa (4.10). Insatisfeita em apenas alimentar o servo de Deus, decide hospedá-lo. Consulta o marido e obtém apoio no projeto de construir um apartamento e mobíliá-lo para o visitante. Como o marido vive no campo, é provável que a obra tenha sido tocada por ela. Deve ter comprado material, acompanhado o serviço do pedreiro e escolhido os móveis. A hospitalidade é sempre uma virtude cristã exigida ao pastor e aos crentes do Novo Testamento.Há mandamento específico para isto: Sede, mutuamente, hospitaleiros, sem murmuração (1 Pd 4.9).

Mas, há tristeza naquele lar abastado. A mulher não tem filhos e seu marido é idoso (4.14). Aparentemente, o problema é do homem. Seja como for, Deus resolve interferir e como a Sara, Rebeca, Raquel e Ana, dentre outras mulheres bíblicas estéreis, faz a sunamita conceber um filho, o qual nasce e cresce saudável até o dia que acompanha o pai ao campo, quando passa mal. O pai, se omitindo de cuidar do filho, o envia a mãe, em casa, onde pouco tempo depois morre. Mesmo diante do quadro gravíssimo, a mulher mantém a calma e busca o homem de Deus no Carmelo. Ao chegar ali, é saudada por Geazi, servo de Eliseu: Vai tudo bem contigo, com teu marido, com o menino?  (2 Rs 4.26).

Não vai bem. Naquele momento, a mãe passa por momentos angustiosos, devido a morte de seu filho único. Eliseu desce com ela até Suném, onde ressuscita o menino. Trata-se de algo tão surpreendente e notável, que a mulher é inferida entre os heróis da fé de todas as épocas. Diz Hb 11.35: Mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos.

Notadamente, a lucidez, equilíbrio e fé revelados pela mãe diante de tal situação é invejável. A postura torna-se mais admirável quando se observa que faz tudo praticamente sozinha. O marido, demasiadamente ocupado, desconhece o drama ocorrido em casa. Não deixa sua atividade nem mesmo quando o filho adoece. Quando a esposa o busca e pede um animal e um servo para ir ao profeta, concede o pedido sem ao menos perguntar pela saúde do filho, morto em casa. A sunamita é um símbolo das mulheres que cuidam sozinhas da casa, dos filhos e de suas necessidades, e em certos casos, ainda trabalham fora. No caso da sunamita, felizmente, conta com o profeta, com Deus e com sua fé. É mesmo uma mulher rica em fé. Como toda mulher cristã deve ser.

Pr. A. Paulo.

 

 

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