Ser ou não Ser



Ser ou não Ser

 

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Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim, não pode ser meu discípulo. Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo Lc 14.26,27 e 33).

Estas duras palavras do evangelho fazem pensar no que escreveu William Shakespeare, há 400 anos: “Ser ou não ser, eis a questão”. Quando aplicada à vida cristã, esta frase continua válida, pois a identidade espiritual também se resume na opção de ser ou não ser. Não há meio-termo. Não há negociação. Não há outra condição.  A pessoa é ou não é cristã.

Mas, o que faz alguém ser crente? Nascer em lar evangélico ajuda?  Ajuda, mas não basta.  O fato de alguém ter nascido em ambiente religioso não faz dele cristão autêntico, embora esse status lhe traga certas vantagens como respeito a Deus e sua palavra; exemplo e incentivo dos pais cristãos; contatos com a Igreja e estímulo à vida espiritual… Mas, a religiosidade não salva, embora a herança cristã influencie na formação do caráter. A verdade é que a condição de ser cristão vai além da religiosidade.

O que dizer das boas obras?  Muitos usam esse critério para identificar o crente.  Sempre haverá alguém enchendo o peito ao falar de suas generosas ofertas, de seu serviço voluntário aos órfãos e viúvas, de suas doações de alimento aos carentes, crendo que isso os faz crentes e herdeiros do céu. Não faz.

Há ainda quem se diz cristão por ser uma boa pessoa. Afinal, a condição de crente não se traduz em caráter aprovado? Quem paga as contas, não sonega impostos, não faz trapaça, não trai o cônjuge, quem é correto nos negócios, cumprindo seus deveres com zelo e rigor não pode ser considerado cristão?  Não.  Honestidade e moralidade valem muito, mas não transformam ninguém em cristão.

Conta ponto não fumar, não ingerir bebida alcoólica, não frequentar salões de jogos ou balada? Sim. Mas a espiritualidade não pode ser medida apenas por manifestações exteriores. Se você tem cão ou gato em casa, certamente ele não fuma, bebe ou dança, mas nem por isso é crente.

Enfim, como saber se alguém é ou não é cristão? Em Lc 14 (citado acima), o evangelho impõe condições a quem deseja ser discípulo. A primeira é amar a Cristo antes e acima dos familiares, pois os laços com o Senhor precisam ser mais fortes do que os de família. Contudo, para  ser crente  de verdade não é necessário viver às turras com os pais e demais parentes, como sugere o texto à primeira vista.  A Bíblia não ensina que o cristão viva em guerra com os seus. No texto o verbo aborrecer é um hebraísmo e não significa odiar, mas amar menos. No caso, amar menos os parentes que a Deus.

Cristo ainda exige do candidato a discípulo a tomar a cruz e segui-lo, o que significa identificação com o Salvador e com sua morte. Sobre o mandamento de renunciar a tudo o que tem para segui-lo, quer dizer que nada deve nos deter de andar com o Salvador. A decisão  deve ser tão forte e determinante como “ser ou não ser”.

Pr. A. Paulo.

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