As marcas de Cristo



As marcas de Cristo

gamechanger5

Quanto a mim, ninguém me moleste, porque eu trago no corpo as marcas de Jesus” (Gl 6:17).

Nos dias do Novo Testamento, a palavra “stigma” (marca) era usada para descrever qualquer sinal, mancha ou cicatriz, tanto nos animais como nas pessoas, em especial nos escravos, que eram marcados como propriedade de seus donos.

Na experiência de Paulo, as marcas foram conseqüências do tratamento cruel e violento de seus algozes, por causa de Cristo e do evangelho.  Elas se constituíam em símbolos de autenticidade e fidelidade ao Senhor, bem como em sua melhor defesa contra os inimigos, como os judaizantes, que se orgulhavam na “marca da carne”, a circuncisão, como prova de religiosidade autêntica.

Paulo, por sua vez, exibia as marcas de seu sofrimento.  E não foram poucas as suas dores. Em II Co 11:23-25, lemos sobre uma parte delas: “Eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; muito mais em prisões; em açoites, sem medida…cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um: fui três vezes fustigado com varas; uma vez apedrejado….” De verdade, quem passa por tudo isso –  e muito mais-  por amor a Cristo e sua obra, não pode ser acusado de falso,  nem de embusteiro, como diziam os inimigos do apóstolo.

Mas, além das cicatrizes e sinais físicos, Paulo revelava ainda outras marcas de Cristo, evidenciadas em sua vida e caráter, como sua completa obediência à vontade de Deus.  Ele foi um servo submisso e obediente.  Sua própria conversão foi resultado de sua obediência a Deus.  Anos mais tarde, em testemunho, declarou::”Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial” (At 26:19) .

Tal prontidão, obediência e submissão foram também marcas de seu ministério.   Uma boa ilustração desse conceito está em Atos 16, quando Paulo, Silas e Lucas pretendiam pregar o evangelho na Ásia, sendo impedidos pela vontade soberana de Deus.  À noite, Paulo teve uma visão, com novo direcionamento (At 16:9).  Era tudo que precisavam:  “Assim que teve a visão, imediatamente, procuramos seguir para aquele destino” (At 16:10)  O crente que revela obediência às ordens do Senhor, tem tudo para ser abençoado e bênção onde quer que se encontre.

Outra marca de Cristo, bem visível na vida de Paulo, foi sua paixão pelas almas perdidas.  Como Cristo, Paulo era cheio de compaixão e amor pelos que perecem.  Em Rm 1:14, escreveu: “Pois sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes” Mais que sentimento de dever,  sentia também profunda tristeza e dor no coração pelos seus irmãos judeus, perdidos sem Cristo. (Rm 9:2). Isto explica sua disposição para pregar a todos, em todos os lugares, em todos os horários, em  todas  as circunstâncias e de todas as formas. Não se envergonhava do evangelho (Rm 1:16).  Nada o detinha.  Nada o silenciava.  Nada o intimidava.  Estava pronto a pagar todo e qualquer preço, numa vida de absoluta, desafiadora e admirável renúncia.  Ao se despedir dos líderes da Igreja de Éfeso, disse: “ Porém, em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto, que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para testemunhar o evangelho da graça de Deus” (At 20:24).  Nesse mundo pós-moderno, cheio de ceticismo e de um cristianismo raso, superficial e de aparência, as palavras de Paulo soam como lei da sobrevivência.  Chega de crentes sem transformação.  Chega de crentes nominais.  Chega de crentes formais.  Chega de crentes que não vão às Igrejas.  Chega de crentes que não convencem.  Chega de crentes sem as marcas de Cristo!

Pr. Antônio Paulo.

comments powered by Disqus