Os passarinhos e os altares



Os passarinhos e os altares

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“A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor, o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo! O pardal encontrou casa e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes; eu, os teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu!” (Sl 84:2-3)

 

Como acontece em salmos anteriores, o salmista expressa aqui desejo profundo e anseio por Deus e pela adoração no templo. Este salmo é conhecido como cântico do peregrino, daquele que empreendia jornadas de fé para Jerusalém, a fim de adorar a Deus. Sabe-se que alguns vinham de longe, como o etíope, que viajou a Jerusalém, com o mesmo propósito. (At 8:27-40).

No templo, ao final, o piedoso encontrava abrigo, acolhimento e proteção, à semelhança dos pardais e das andorinhas nos seus ninhos. Com base em certas declarações do salmo, alguns comentaristas acham que os ninhos referidos ficavam nos lugares altos do próprio templo e o salmista viu nisso um privilégio: “Bem-aventurados os que habitam em tua casa, louvam-te perpetuamente” (Sl 84:4).

A cristandade contemporânea precisa recuperar o amor e o valor do templo. Hoje são muitos os crentes que não vão a Igreja ou já não se alegram nisso (Sl 122:1). Será necessário, portanto, se restaurar o anseio, o amor e o esforço, vistos no peregrino israelita pela casa de Deus.

Tudo no templo maravilhava o piedoso, com destaque especial para os altares e os sacrifícios. Tão logo chegava aos átrios, o visitante se deparava com o altar de holocaustos, onde eram feitos os sacrifícios sangrentos. Os holocaustos do passado apontavam para a cruz de Cristo, onde o cordeiro de Deus ofereceu-se como sacrifício perfeito a Deus (I Pd 2:22). Mas, o apóstolo Paulo viu ali outra significação: viu a dedicação e consagração do crente. Diz Rm 12:1: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos, por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”

Consagração é a melhor resposta do crente às misericórdias de Deus. Por causa da graça que o salvou, ele deve se consagrar a Deus, na mesma medida como, no passado, o sacrifício era entregue no altar. Uma consagração total! Com um detalhe: o sacrifico cristão é vivo, santo e agradável a Deus, pois resultará em Sua aceitação e glória!

Contudo, na área mais interior do tabernáculo, havia ainda o altar de incenso, onde o sacerdote entrava para orar e queimar incenso. Através do Novo Testamento sabe-se que o incenso simbolizava as orações do santos (Ap 5:8) e o altar prefigurava o trono da graça de Deus, para onde o crente corre pela fé, para receber auxílio e socorro, em ocasião oportuna (Hb 4:16). A idéia do altar como lugar onde o pecador buscava o favor de Deus vem desde a monarquia israelita. Naqueles dias, quando alguém se sentia perseguido, ameaçado ou em perigo, corria para o templo e se apegava às pontas do altar de holocausto. Assim fizeram Adonias e Joabe (I Rs 1:50; 2:28) (No caso dos dois, a graça não os alcançou: acabaram sendo mortos por ordens de Salomão). O mesmo não acontece com o crente, quando entra na presença de Deus e se agarra no seu altar. Certamente encontrará a graça e o favor do Rei. Com tal garantia, os crentes deviam vir ao templo com mais freqüência e aprender as lições dos passarinhos e dos altares.

Pr. Antônio Paulo.

 

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