José, exemplo de obediência



José, exemplo de obediência

jose

Considerando que José foi o pai terreno do maior vulto da história, Jesus Cristo, o silêncio geral do evangelho a seu respeito chega a ser incompreensível. Por que será que ele passa quase despercebido pelo relato bíblico?

 

José foi personagem vital no grande ato da redenção, embora tenha permanecido atrás da cortina, sem aparecer no palco e sem jamais receber aplauso humano.

 

De sua vida pregressa – como tudo mais sobre ele – os dados são parcos e lacônicos. Sabe-se apenas que era um descendente distante do rei Davi, mas levava uma vida desprovida de bens materiais. José tirava o sustento de uma rústica carpintaria de Nazaré. Uma vez que carpintaria no início do século primeiro era um trabalho bastante rudimentar, é fácil imaginar José um homem forte e musculoso, acostumado ao trabalho pesado. Como José era conhecido em toda a cidade, leva-nos a concluir que era bom profissional (Mt. 13.55). De seu caráter moral e espiritual a Bíblia declara que era “justo” (Mt. 1.19).

 

José entrou no plano divino sem saber, quando ficou noivo de uma jovem – ainda sua parenta distante – chamada Maria, residente na mesma cidade.

 

A vida dos dois passaria em brancas nuvens se Maria não tivesse sido visitada por um anjo e tivesse ficado grávida misteriosamente, sem que tivesse relação sexual com o noivo. José soube da nova condição de sua noiva e sofreu em silêncio. Depois de muito pensar, tomou a decisão. Sairia do casamento e desapareceria da vida de Maria e da cidade. Mas faria isso da forma mais gentil possível, para que a moça não ficasse difamada. Se tal ocorresse, ela poderia, inclusive, ser apedrejada (Dt. 22.23-24).

 

“Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo.” (Mt. 1.20).

 

 

Que alívio estas palavras devem ter trazido a José! É notável o fato que José recebeu a mensagem do anjo sem hesitação. Sua obediência foi vigorosa, pronta e completa, uma característica que identifica José dali para frente.

 

“Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher.” (Mt. 1.24). Notou bem? Por amor a Deus José recebeu um filho que não era seu e cuidou dele como se fosse o verdadeiro pai de Jesus.

 

O que no evangelho é um doce milagre, a concepção milagrosa do Filho de Deus, para os inimigos era uma lorota. Certa feita, quando os judeus incrédulos quiseram ofender a Cristo, eles o chamaram de bastardo (Jo. 8.41).

 

Mas José não foi obediente a Deus, apenas. Ele também foi exemplo de obediência às leis de seu país. Quando César Augusto (31 a.C. – 14 d.C.) decretou o censo, convocando a todos para alistar-se, “José também subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, para a Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi” (Lc. 2.4).

 

José e Maria tinham todas as razões do mundo para não fazerem aquela viagem. Maria estava grávida de último mês, a viagem era longa e desconfortável, a lombo de burro, havia o risco de o esforço forçar o nascimento da criança pelo caminho, etc., etc. Por muito menos nós desistiríamos de obedecer. Mas José não pensou assim. Ele simplesmente obedeceu. Sua obediência abriu a porta para o cumprimento da profecia de Miquéias, segundo a qual o Messias nasceria em Belém (Mt. 2.6).

 

As circunstâncias do nascimento de Jesus são do conhecimento de muitos, assim como os muitos visitantes, etc. Quando tudo parecia se aquietar, nova direção veio a José: “Tendo eles partido, eis que apareceu um anjo do Senhor a José, em sonho, e disse: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e permanece lá até que eu te avise; porque Herodes há de procurar o menino para o matar.” (Mt. 2.13).

 

Não era possível! Nova viagem? Não havia lugar para discussão, pois o assunto era grave demais. Uma vez mais José fez o que lhe era próprio: obedeceu. “Dispondo-se ele, tomou de noite o menino e sua mãe e partiu para o Egito” (Mt. 2.14).

 

Você deve ter percebido: a obediência, uma vez mais, foi completa e imediata. José e Maria partiram naquela mesma noite! Às vezes fico pensando: por que o povo de Deus – incluindo seu próprio Filho – tem que ser perseguido em todas as épocas? Ao chegar ao Egito, José deve ter tratado de montar de novo a carpintaria, ganhar encomendas, se fazer conhecido, afinal, ele não era rico e agora tinha uma família para sustentar.

 

O que ele não previa era que Deus planejava outra mudança. “Tendo Herodes morrido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e disse-lhe: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel” (Mt. 2.19, 20). A reação de José já era esperada: “Dispôs-se ele, tomou o menino e sua mãe e regressou para a terra de Israel.” (Mt. 2.21).

 

Na época do Natal, fala-se muito dos pastores e sua alegria, dos magos e seus presentes, de Maria e sua entrega a Deus e Seu plano, etc. Mas desta vez quero colocar na frente do palco esse importantíssimo personagem co-adjuvante para o cumprimento da vinda de Cristo.  José é um exemplo de paternidade responsável e de obediência a Deus.  Precisamos como nunca de pais como José: sensíveis à voz de Deus.  De pais prontos a obedecer a Palavra e a direção divina para seus filhos e sua família. De pais prontos para afastar sua família do perigo, como José, o pai terreno de Jesus Cristo. Como pais crentes,  nos resta seguir o exemplo de obediência a Deus visto em José.

 

Pr. Antônio Paulo de Oliveira, é pastor da Primira Igreja Batista do Bairro Assunção, em São Bernardo do Campo, SP

comments powered by Disqus