José, o ponderado



José, o ponderado

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Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixa-la secretamente.  Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo:  José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo (Mt 1:19-20).

 

Com base nestes versos bíblicos, pode-se  acrescentar mais duas virtudes às qualidades de José: discrição e prudência.  A situação era extremamente grave: Maria, sua noiva, apareceu grávida, sem que tivesse tido relações sexuais com o noivo.  Como entender a fatídica notícia?  Como Maria poderia ter sido tão infiel?  Ou não o amava como dizia?  Ou não era tão santa como aparentava?   Quem seria o pai da criança?  Como poderia tê-lo traído?  Como podia ser tão leviana?  O assunto caiu como bomba destruindo de vez todos os sonhos e esperanças de um casamento honroso, limpo e sob a bênção de Deus.

O que faria diante da situação?  Ele a denunciaria diante dos anciãos da cidade, resultando em apedrejamento da infiel?  (Dt 22:23-24).  Mas, se assim fizesse, como encararia, posteriormente, os parentes, amigos e os fregueses da carpintaria?  Como lidar com um escândalo dessas proporções, numa cidade pacata como Nazaré? Mesmo que não a expusesse à vergonha pública, o que diria quando a gravidez se fizesse notar?  Como esconderia o que era evidente?   Como escapar das más línguas?  Algo parecia inevitável: ele a deixaria.  Não haveria mais casamento. Mas, faria isso da forma mais secreta possível, evitando assim um mal maior. Ele simplesmente fugiria. Iria desaparecer da noite para o dia. Mas, para onde iria? Como águas profundas, são os propósitos do coração do homem, mas o homem de inteligência sabe descobri-los (Pv 20.5).

No caso em questão, quem descobriu o propósito profundo da situação foi Deus. Em sonho, o anjo do Senhor revelou a  José que Maria não era o que  estava pensando. Não tinha sido infiel.  O que fora gerado em seu corpo era  do Espírito Santo. Portanto, que José não tivesse temor de recebe-la. Que alívio!  Pois foi o que fez este homem justo, discreto e prudente: recebeu sua mulher. A boa nova angelical também o encheu de ânimo para tomar posição pública, além de responder a qualquer pessoa que fizesse insinuação de que a criança tinha vindo cedo demais. Como precisamos da prudência de José! Embora seu caso fosse grave, sórdido e urgente, não se precipitou. Não falou demais. Não meteu os pés pelas mãos.  Não agiu precipitadamente. Intempestivamente. Levianamente.  Agindo de modo correto, deu oportunidade para Deus revelar o que estava oculto e guia-lo a cada passo. Desse modo, tudo acabou bem.

No dia-a-dia enfrentamos situações confusas, críticas, duvidosas, desafiadoras.  Como agir em situações críticas ou problemáticas?   A recomendação bíblica é: Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios e sim como sábios. Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor. (Ef 5.15,17). A prudência está ligada à sabedoria e esta, ao temor do Senhor. Já a imprudência é irmã gêmea da tolice, da estupidez. E o crente, não pode agir deste modo, pois é a negação de sua fé. Pondera a vereda de teus pés e todos os teus caminhos sejam retos (Pv 4:26).

Foi precisamente nesse caminho que andou José, o ponderado.

 

Pr. Antônio Paulo.

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